Voltei ao WhatsApp. E agora?
- Andréia Janecek

- há 24 horas
- 4 min de leitura
Atualizado: há 20 horas
Depois de nove meses sem WhatsApp, em março deste ano eu voltei a usar esse aplicativo de mensagens. E hoje quero te contar como foi essa volta.

Era junho de 2025. Eu estava me sentindo esgotada.
Já havia abandonado o Instagram há alguns meses - que alívio! - mas ainda me via presa ao celular por mais tempo do que gostaria ou do que deveria.
Percebi que a principal fonte de distração, naquele momento, vinha do WhatsApp. Muitas mensagens para responder, muitos assuntos que não eram prioritários mas que, de repente, pareciam se tornar o foco da minha atenção.
E, então, numa tarde, enquanto observava a minha filha brincando no tapete da sala e vivendo com tanta intensidade o momento presente, eu simplesmente tomei a decisão. Peguei o celular e, em poucos segundos, o aplicativo do WhatsApp estava deletado.
Imediatamente me senti mais leve e, ao longo das semanas e meses seguintes, fui vivendo o meu dia a dia com cada vez mais presença.
O celular passou a ser guardado numa gaveta.
Minha comunicação com "o mundo exterior" acontecia por e-mails ou ligações.
Conectei o meu aparelho a um telefone fixo e as chamadas eram feitas e recebidas sem precisar pegar o celular. (Usei - e continuo usando! - um equipamento chamado Cell2Jack, que transfere as ligações do celular para um aparelho fixo através de Bluetooth. Virei fã número 1 e indico, de coração, esse dispositivo a todas vocês que também buscam uma vida mais analógica),
Feliz com a minha decisão e com os frutos de estar vivendo cada vez mais desconectada, gravei um programa para a Rádio Leveza falando sobre como estava sendo a minha experiência sem esse aplicativo de mensagens. Você pode assistir ao programa pelo Spotify clicando aqui ou, se preferir, pode assistir pelo YouTube clicando no vídeo abaixo.
Eu estava satisfeita com esse novo cotidiano sem depender do WhatsApp e completamente determinada a seguir esse caminho.
Porém, em março deste ano, uma notícia me fez repensar essa decisão.
Uma amiga muito querida nos contou que, em poucas semanas, iria se mudar de país. Meu primeiro pensamento foi: "como iremos continuar mantendo o contato?".
Ela não tem o hábito de usar e-mail, mas se prontificou a começar a checar a caixa de entrada para que pudéssemos seguir com as nossas conversas.
E, sim, para mim isso seria ótimo e cômodo. Eu seguiria com a minha escolha de não usar o WhatsApp e poderia manter o contato com a minha amiga através de e-mails.
Mas a que custo?
Essa amiga estava se mudando com toda a família para um país novo. Iria começar uma rotina completamente desconhecida, passaria a viver longe dos pais, irmãos, sobrinhos e amigos antigos — laços que ela também precisaria seguir nutrindo à distância.
E, além de tudo isso, eu ainda colocaria sobre ela a responsabilidade de criar o novo hábito de checar e-mails apenas para que a nossa comunicação se encaixasse na escolha que eu havia feito. Assim que assimilei a notícia da minha amiga e me dei conta das consequências, voltei ao WhatsApp.
Mas voltei determinada a continuar preservando aquilo que aprendi nesses meses longe deste aplicativo.
Aprendi que nem toda mensagem precisa ser respondida imediatamente. Que eu não preciso estar disponível o tempo todo. Que existem conversas que merecem calma, silêncio e presença antes de uma resposta apressada enviada entre uma tarefa e outra.
Aprendi também que a tecnologia ocupa exatamente o espaço que permitimos que ela ocupe. E que, muitas vezes, o problema não está na ferramenta em si, mas na forma automática como passamos a utilizá-la.
Não quero voltar àquela sensação de fragmentação constante, de viver interrompida por notificações e pequenas urgências que, no fim das contas, quase nunca precisam de resposta imediata.
Quero continuar escolhendo com mais intenção quem e o que terá acesso à minha atenção diária. Quero seguir priorizando o mundo analógico, as ligações quando elas fizerem sentido, os encontros quando forem possíveis e as pausas quando forem bem-vindas.
E, nessa volta ao WhatsApp, tive algumas agradáveis e belas surpresas.
Uma delas foi começar um contato mais próximo com uma moça que acompanha o meu trabalho há um tempo, a Anna Munhoz. Ela me chamou, por mensagem, quando teve dúvidas ao finalizar uma compra no meu site. Começamos a conversar, e ela, muito gentilmente, resolveu me presentear com uma linda caixinha com blends de chás e infusões autorais da sua marca, Singular (além de um infusor lindo e uma cartinha muito singela escrita à mão).

Fiquei com o coração aquecido por este gesto. Os chás viraram parte da minha rotina cotidiana: um, que traz a energia do chá preto, para a manhã, o outro, mais relaxante, com lavanda, para fechar o dia.
Quero deixar aqui a indicação de que vocês também conheçam este trabalho tão delicado (e delicioso! rs!) da Anna. A Anna criou um grupo de novidades da Singular. Clique aqui para fazer parte.
Você também pode entrar em contato direto com ela por aqui ou acompanhá-la pelo Instagram, caso use a rede.

Obrigada pela leitura e pela companhia. Que sigamos sempre buscando um jeito de viver mais intencional, gentil e cheio de presença.



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